“O tempo urge (coisas minhas)” por Andréa Flores

E mais um post desses textos latentes… agora o de Andréa Flores, o Joaquim:

E vem sem pena. Falta pouco tempo para a estréia prevista, pouco tempo para a viagem do Marton. Há pouco tempo de ensaio, mesmo quando ele parece longo. Eu mesma vivo no corre corre, com tempo reduzido o tempo todo. Velocidade absurda!
Preciso de paciência. Quero ver tudo pronto, o texto definitivamente cortado, o ritmo harmonioso e nós, os atores, obtendo todo o resultado de nosso trabalho. Mas as coisas não caminham assim.
Ensaio passado fizemos o famoso “corridão”: passamos o espetáculo inteiro, sem parar, improvisando os erros. Ao total, uma hora e vinte e quatro minutos, se não me engano. Achamos ótimo. Eu, por exemplo, achei que duraria umas duas horas no mínimo. E, como ainda ficaram alguns buracos, Marton acredita que ainda podemos chegar a uma hora e quinze minutos. Eu acho que até menos, se cortarmos mais texto excessivo e mantivermos o ritmo.
A velocidade nos assustou. Percebi no grupo (e Vinícius até chegou a comentar comigo) o que eu sentia: foi estranhíssimo ensaiar assim. É tudo veloz, sem pausas entre as cenas, sem interferências do diretor, sem “vou voltar porque errei o texto”. O espetáculo é assim, precisamos nos acostumar. Foi então que vi quanto trabalho ainda temos pela frente, mesmo quando aparentemente já temos algo semi pronto, por assim dizer. E, como disse alguém que nos assistia na praça, em um dos ensaios públicos, o ritmo da rua é veloz. Se vamos estrear lá, é melhor exigir mais de nós.
Hoje, novos cortes no texto, mais limpeza de cenas. Concordei com tudo, mas estive agoniada, assombrada pelo tempo. Não passamos o espetáculo todo.
Para ser sincera, tem uma coisa principal que me incomoda profundamente. Não gostaria que o Marton viajasse. Pensar que ele vai ficar fora, ainda mais tanto tempo, me angustia. O grupo vai sentir muito a falta dele, pelo simples fato de que aquilo tudo é a cara dele. Então, a cada ensaio, penso que o tempo se abrevia. Precisamos MESMO estrear na data prevista, se não ele vai embora antes. Eu não quero que ele perca as apresentações, na verdade acho inconcebível estar nesse período sem ele.
Ah, o tempo… Gostaria que andasse mais devagar, que às vezes voltasse atrás e que acelerasse apenas nos momentos certos. Eu lhe avisaria quando fazê-lo. Mas ele não aceita.
Hoje não há fotos do Mão de Vaca ou de palhaços. Mas de uma amiga, Luana Moura, na pele de um personagem absurdo, maníaco pelo tempo. Eu era aquela lá atrás, com mania de limpeza. Atualmente, pareço mais com Luana…
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~ por suani correa em 28 janeiro 2010.

3 Respostas to ““O tempo urge (coisas minhas)” por Andréa Flores”

  1. Nossa, levei um susto quando li os comentários no blog! rsrsrsrs
    Não tem problema não, pode publicar. Eu não acho que ele esteja assim tão bem escrito, na verdade saiu rápido, em tom de desabafo, tamanha a minha agonia naquele dia.
    Você conseguiu descansar com o tempo do estpetáculo? Bem, eu me tranquilizei quanto a duração, mas continuei preocupada. Tinha medo de que, para quem assiste, ficasse enfadonho e o tempo parecesse mais longo do que o real. Entende? Mamãe e papai confirmaram meu receio. Ela, em especial, acha cansativo. E mais: ambos não gostaram muito de Mestre Joaquim. Papai criticou bastante a voz dele… Tentei instigá-los mais, saber mais sobre como não ser enfadonho ou sobre o Joaquim, mas eles não falam muito, têm medo de magoar. E eu doida por indicações de melhoria. Detalhe!
    Preciso te dizer também que Mestre Simão está cada vez melhor. A temperatura da cena dele é aquela mesma. Quando você cai, a gente ri invitavelmente. Parece que se quebra todinha! rsrsrsrs
    Bem, acho que chegaremos lá. Tenho é que controlar minha ansiedade.
    Su,a propósito, gostaria que você me ensinasse a usar o wordpress. Estou criando outro blog nele, mas não entendo nada dessas coisas, ainda mais aqui…

    Bjs

  2. Sim, fiquei mais tranquila com relação a duração do espetáculo. No entanto, o tempo possui nuances, especificações. O tempo cronológico do espetáculo poderá ter 1h15, mas, para o público, esse tempo poderá ser outro, pois não é a cronologia que os prenderá ali. Como vc mesmo disse, o espetáculo poderá ser cansativo, se não houver trabalho com o ritmo, com o texto, principalmente, já que se os atores não trabalharem as intonações, as intenções, as nuances, com certeza estas 1h15 se tornarão 3h!!!!!
    Poxa, quer dizer que eles não gostaram muito do Joaquim?! Como é diferente a percepção do público!!!Eu, e acredito que o grupo todo, gosta da maneira que vc o construiu.É, tenta “arrancar” mais coisas deles!!!rsrsrsrsrs.
    Ah, obrigado pelo elogio. Eu adoro fazer aquela cena. Daqui a pouco, acredito que irei escrever um post sobre ela.
    Bjs.

    • Gostaria muito que tudo durasse no máximo uma hora. Seria ideal, não acha?
      Opinião das pessoas de casa é sempre complicada. Ou tecem elogios demais, ludibriados porque você é da família, ou limitam-se a não dizer nada, quando, na verdade, querem criticar…rsrsrsrs
      Eu tenho vontade de escrever sobre aquela cena final, dos empregados lá atrás dos bancos. Adoro! Tudo de bom.
      bjs

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