O mão de vaca: fotos da estreia (25/02)

•4 março 2010 • Deixe um comentário

O MÃO DE VACA: enfim, a estreia!!!!

•25 fevereiro 2010 • Deixe um comentário

25 de fevereiro de 2010: eis a data de nossa estreia!!!!E que estreia!!Um turbilhão de sentimentos me invadem…Alegria, apreensão, segurança, medo… Mas seguimos e seguiremos firmes e fortes. E que processo!  Ele também é objeto/sujeito de minha pesquisa de Mestrado. Muitas vezes, achei que deveria, vraiment, ter ficado mais afastada, a pesquisadora distanciada de seu corpo de pesquisa…mas foi impossível para mim e para o grupo. Sabe, é mais forte. E hoje estreamos, ou poderia dizer, apresentaremos mais afinado (pois ensaiamos na rua) um trabalho que foi árduo, difícil, intenso, mas com grandes momentos de alegria, de risos, e, principalmente, de descobertas. Nossas   próprias descobertas e de nossos companheiros neste ofício de fazer rir. E que não é um dos mais fáceis. Foi um processo, enfim, instigante…

E um filme passa na cabeça. Em março completaremos um ano de processo, de trabalho. As leituras, as improvisações, as tarefas… Hoje teremos o resultado de tudo isso, mas um resultado não acabado, não fechado, pois acredito que  haverá modificações, sugestões serão incorporadas, ações serão mais afinadas etc. E ainda passaremos pela temperatura do nosso querido PÚBLICO! Vamos ver o que eles nos respondem.

Bem, daqui a pouco começarei meu ritual: arrumar a mochila, guardar minha maquiagem, encontrar meus companheiros trovadorescos, e diga-se de passagem campeões, junto com a Bole-Bole, do carnaval 2010 de Belém (a escola Bole-Bole nos homenageou, contando nossa história de 11 anos e ela foi campeã!!!Foi ela, mas nos sentimos, ok?), pegar os bancos, ir para a praça, aguardar o público e… me entregar!!!

Aproveito para contar que ontem foi um dia muito feliz, pois vi minha amiga Alessandra brilhar em sua defesa de Especialização, cuja pesquisa centrava-se em sua palhaça, a Neguinha!!!! O que me surpreendeu foi o fato de enxergar a mesma segurança que ela possui no palco, ali, naquela outra cena, e desta vez acadêmica. Como diz minha orientadora Lilia Chaves, em muitas de suas participações em bancas, que aquele momento também é uma cena e estamos em um palco. E Alessandra mais uma vez arrasou. E é com a mesma garra, segurança e felicidade que ela apresentou sua monografia, que desejo que meu grupo esteja hoje, pois  “a alegria da cidade são os Palhaços Trovadores”, kkkkkkkk.

Serviço: O mão de vaca, dias 25, 26 e 27 de fevereiro, às 20h, no anfiteatro da Praça da República.

Público: é isto que eu quero!

•5 fevereiro 2010 • 2 Comentários

Na terça-feira, dia 02, encontrei Vinícius no Shopping Pátio Belém, na fila de um caixa eletrônico do BB. Entre uma conversa e outra, falamos sobre o nosso espetáculo, sobre o processo. Nos mostramos muito satisfeitos com a duração, provável, da peça, e em como construímos o seu final. Ele comentou comigo que foi de extrema importância a volta a uma sala fechada, sem o olhar das pessoas. Pois, nessa volta, a “coisa engrenou”, deslanchou. E devo admitir que também tive esta percepção.

Ele me disse que não se sentiu à vontade nos períodos em que ensaiávamos na rua.Acho que alguns integrantes não gostaram desta parte. Infelizmente, para eles e para o processo, pois, acredito eu, se estivessem mais “abertos” , o processo seria mais “aberto” ao público, no sentido de aceitação de indicações, de sugestões… Eu acho! Será?

Uma outra questão também surgiu: a estreia do espetáculo. Vini comentou que iremos  sentir mesmo o espetáculo, sua temperatura na estreia, pois será o momento do encontro com o público. Momento em que perceberemos se a piada surtiu algum efeito, se nossa adaptação ficou bem estruturada etc. Algumas destas respostas já temos, mas o público…Ele será o termômetro!!!!

Aí penso cá com meus botões que é ele, o público, que almejamos, com muita fome, então pq o fechamento diante dele durante o processo? Hum…me pergunto sempre isso. Sabe, sei que deve ter passado na cabeça a ideia de que as pessoas, vendo nossos ensaios, não teriam mais a graça da descoberta, do novo no dia da estreia. Será? Será que isso poderia acontecer? Eu estava (e ainda estou) tão encantada e presa ao processo, ao compartilhamento das pessoas em nosso processo, que nem me preocupei com tal fato, se o encantamento não ocorreria mais. Mas, vraiment,  eu não acredito nesta sentença. Senão as obras de artes teriam somente uma única apresentação e seriam “queimadas na fogueira” (lembrando as bruxas!). Eis que existe a contemplação; a arte está aí para ser contemplada.

Então não acredito nisso, não acredito que o público não riria, não cantaria, não se felicitaria conosco na estreia, sendo que ele já conhece o processo, o espetáculo. Se isto fosse verdade, não teríamos a plateia, os fãs que temos (acho que não estou sendo demais!). Sempre fui e sou favorável ao público, à sua colaboração, ao seu tear, e se nosso diretor quiser que, antes da estreia, voltemos à rua direi SIM, pois PÚBLICO: É ISTO QUE EU QUERO!!!!

“O tempo urge (coisas minhas)” por Andréa Flores

•28 janeiro 2010 • 3 Comentários

E mais um post desses textos latentes… agora o de Andréa Flores, o Joaquim:

E vem sem pena. Falta pouco tempo para a estréia prevista, pouco tempo para a viagem do Marton. Há pouco tempo de ensaio, mesmo quando ele parece longo. Eu mesma vivo no corre corre, com tempo reduzido o tempo todo. Velocidade absurda!
Preciso de paciência. Quero ver tudo pronto, o texto definitivamente cortado, o ritmo harmonioso e nós, os atores, obtendo todo o resultado de nosso trabalho. Mas as coisas não caminham assim.
Ensaio passado fizemos o famoso “corridão”: passamos o espetáculo inteiro, sem parar, improvisando os erros. Ao total, uma hora e vinte e quatro minutos, se não me engano. Achamos ótimo. Eu, por exemplo, achei que duraria umas duas horas no mínimo. E, como ainda ficaram alguns buracos, Marton acredita que ainda podemos chegar a uma hora e quinze minutos. Eu acho que até menos, se cortarmos mais texto excessivo e mantivermos o ritmo.
A velocidade nos assustou. Percebi no grupo (e Vinícius até chegou a comentar comigo) o que eu sentia: foi estranhíssimo ensaiar assim. É tudo veloz, sem pausas entre as cenas, sem interferências do diretor, sem “vou voltar porque errei o texto”. O espetáculo é assim, precisamos nos acostumar. Foi então que vi quanto trabalho ainda temos pela frente, mesmo quando aparentemente já temos algo semi pronto, por assim dizer. E, como disse alguém que nos assistia na praça, em um dos ensaios públicos, o ritmo da rua é veloz. Se vamos estrear lá, é melhor exigir mais de nós.
Hoje, novos cortes no texto, mais limpeza de cenas. Concordei com tudo, mas estive agoniada, assombrada pelo tempo. Não passamos o espetáculo todo.
Para ser sincera, tem uma coisa principal que me incomoda profundamente. Não gostaria que o Marton viajasse. Pensar que ele vai ficar fora, ainda mais tanto tempo, me angustia. O grupo vai sentir muito a falta dele, pelo simples fato de que aquilo tudo é a cara dele. Então, a cada ensaio, penso que o tempo se abrevia. Precisamos MESMO estrear na data prevista, se não ele vai embora antes. Eu não quero que ele perca as apresentações, na verdade acho inconcebível estar nesse período sem ele.
Ah, o tempo… Gostaria que andasse mais devagar, que às vezes voltasse atrás e que acelerasse apenas nos momentos certos. Eu lhe avisaria quando fazê-lo. Mas ele não aceita.
Hoje não há fotos do Mão de Vaca ou de palhaços. Mas de uma amiga, Luana Moura, na pele de um personagem absurdo, maníaco pelo tempo. Eu era aquela lá atrás, com mania de limpeza. Atualmente, pareço mais com Luana…

“Nada sei. Mas vamos em frente!” por Marton Maués, o diretor:

•28 janeiro 2010 • Deixe um comentário

Vez ou outra, gosto de postar em meu blog, escritas tão latentes, tessidas pelos meus companheiros de O mão de vaca. Então, eis que hoje deixo aqui as palavras de nosso diretor, escritas em 30 de dezembro de 2009, em seu blog www.unha-de-fome.spaceblog.com.br:

 

Um dia, ainda moleque, eu vi uma peça de teatro em um circo, A escrava Isaura, lá onde nasci e cresci, Macapá, cidade nde a televisão chegou quando eu já tinha 14 anos, e já era o ano de 1975. Fiquei impressionadíssimo com o drama daquela escrava, atento às questões ali abordadas e muito curioso com aquela maneira de contar uma história. Era tão mal feito, mas tão maravilhoso para mim naquele momento…

Eu queria ser cientista quando pequeno. Depois, encasquetei de ser veterinário, apaixonado por cães que era (hoje tenho dois). saí de casa às vésperas de completar 18 anos, vim estudar em Belém, fazer vestibular para medicina veterinária, o que fiz e, claro, não passei. muita química, física… pra que?

sonhava ser diretor de cinema também. Achava o máximo. E resolvi ser artista, fiz oficina de teatro porque descobri que se fazia um bom teatro em Belém, sim. Na falta de um curso melhor, fiz vestibular para letras e, aos trancos e barrancos me formei depois de 11 anos. Curso grande esse meu. Trabalhei como auxiliar de secretaria, está na minha carteira de trabalho – meu primeiro emprego! Fui locutor por um tempo, repórter de jornal por outro tempo. Passei longa temporada em uma fundação cultural. Sempre trabalhando paralelamente no teatro. Fui ator, mas desejava ser diretor. E fui aprendendo o ofício. teatro sempre, empregos diversos aqui e ali. Virei professor de tetaro na universidade, virei diretor de teatro.

Outro dia, perguntei a um professor que se formou em Direção Teatral como era esse curso, pois sou diretor sem formação acadêmica. Ele não me deu resposta esclarecedora e eu continuo sem saber como se forma um diretor de teatro.

Vezenquando acho que não sei dirigir coisíssima nenhuma. Sempre que começo a trabalhar em algum espetáculo novo, juro, não sei por onde começar. Me olho no espelho e digo a mim mesmo: não sabes nada, cara, não sabes dirigir coisa nenhuma, és um imbusteiro!

Sigo com esta certeza, e vou indo, propondo coisas, ouvindo os atores, às vezes sem saber por onde começar, chagando ao ensaio sem nada na cabeça, nada no papel, nada: branco total. Aí dá um estalo, proponho algo ou alguém propõe ou um acidente acontece e a gente vai brincando com aquilo e… Ou eu começo do básico do básico e aquilo vai acontecendo, crescendo e, de repente, estamos todos ali criando, jogando, transformando aquele vazio, aquele nada, em algo pulsante. E os atores agem, fazem coisas, erram e os erros me impulsionam e vejo ali e acolá coisas e estimulo os atores e eles, sim, eles são sempre maravilhosos, não importa se erram, dão furo, fazem corpo mole, mas naqueles momentos em que estamos suando, jogando, jogando, jogando, a centelha acende, a coisa acontece e eu, estasiado, gozando o prazer da criação, o poder demiúrgico da criação, nesses momentos, junto com os atores maravilhosos, nesses momentos eu me sinto e acredito que sou um diretor de teatro.

Se um dia me perguntarem, como perguntei ao professor, não saberei responder como se forma um diretor de teatro. Talvez um dia seremos extintos, prega-se muito hoje a dramaturgia do ator, o ator-criador e outras coisitas mais. Acredito nisso. Mas meu tempo é esse, o do diretor, que se descabela, que aponta coisas aqui e ali para o ator, que joga com ele, que faz das tripas coração para que aquele ser divino, o ator – o ator é um ser divino! -, entenda o que ele, o diretor, um ser menor, terreno, humano, que se preocupa com coisas pequenas, que o ator entenda o que ele diretor deseja que ele ator faça e assim alcance não sei como o poder dos deuses. Se é que alcança mesmo. Acho que em muitos casos alcança.

o Diretor é o inferno do ator, mas também o seu céu. O ator é sempre o inferno do diretor, mas é nesse inferno que o diretor arde de prazer, chega ao êxtase.

Eu adoro dirigir teatro. Eu não sei fazer outra coisa com tanto prazer e não sei fazer isso bem, mas adoro fazer. Não sei como sei fazer, mas sei que faço sempre, mesmo quando digo que quero largar tudo, que não aguento mais, que vou embora e parar e vou morar numa cidadezinha do interior e vou dar aula na escolinha da cidade e viver modestamente… e minha cabeça fica rodando e rodando e rodando e pensando na próxima peça e na próxima cena e em como resolveria tal e tal cena que vi em tal e tal peça de tal e tal diretor… Eu penso e penso sempre em espetáculos de teatro.

O teatro é uma loucura. O teatro é a minha loucura!

Estou sofrendo muito com o processo d’O Mão de Vaca, nosso Avarento. Mas estou amando também, tudo o que criamos, o que conseguimos erguer até então. É muito, é pouco? Não sei. É bom, vai funcionar, agradar às pessoas? Não sei. Vai seu mais um sucesso do Grupo Palhaços Trovadores? Não sei. Vamos chegar ao fim, vamos conseguir terminar? Não sei.

Só sei que nada sei. Mas vamos fazendo.

Fotos do ensaio na ETDUFPA

•26 janeiro 2010 • Deixe um comentário

 A troupe de palhaços   

Os bancos ao final do espetáculo  estarão dispostos assim

  Aníbal em momento “costura de figurino” 

                                                     Valério  e Mariana  

  Frosina e Joaquim 

                                                              Mestre Simão e Elisa

Merluche             

                                         Frosina   e Harpagon 

                                                   

  Cleanto e  seu pai Harpagon   

 

Quanto tempo sem minhas escritas sobre “O avarento”. Ou melhor, sobre “O mão de vaca”

•18 janeiro 2010 • Deixe um comentário

Gostaria de retornar, depois da minha grande pausa de festas de fim de ano, com algumas palavras de Augusto Boal, lidas em uma revista de Teatro de Rua. Vamos lá:

Agora acabou a ficção que fazemos no dia-a-dia.. Quando cruzarem esses bambus, lá no palco, nenhum de vocês tem o direito de mentir. Teatro é a Verdade Escondida.

Quis começar com as palavras deles por acreditar que o palhaço é essa “verdade escondida”. Pensei em mim, em meu grupo e no processo que atualmente nos encontramos, ou que, por vezes, nos desencontramos. De imediato me fez pensar nos ensaios e na falta de alguma coisa. Sentia que ensaiávamos, ensaiávamos e parecia que nada andava. Nada também é um exagero meu. Progredimos bastante, o espetáculo já está encaminhado, mas não o que deveria, na minha opinião, já que em março iremos completar um ano de trabalho. Várias vezes conversamos, para entender se existia algum problema. As vezes tínhamos as respostas, outras vezes não. O texto, a rua, o desnudamento diante do público na rua… Nos amendrontaram? Nos bloquearam? Mostraram nossas fraquezas?

Bem, devido a isso, Marton nos propôs que neste mês de janeiro os ensaios fossem em espaços fechados, para que resolvêssemos os entraves e ajustássemos as cenas que já estavam marcadas. No início não gostei muito da ideia, pois gostei de ensaiar na rua, mas entendi que precisavamos trabalhar a sós. Por isso os ensaios estão sendo todos os dias, na Escola de Teatro e Dança da UFPA. Gostaria de deixar meu OBRIGADA registrado a Direção da Escola.

E assim estamos, e adianto que está sendo produtivo, já construímos o final do espetáculo, diferente o do texto original. Os ensaios fechados estão rendendo…

Bises,

Su.